quarta-feira, 11 de julho de 2012

Dicas - Empreendendo com Impacto

Desde que comecei a conhecer melhor esse tão falado “mundo do empreendedorismo e das startups” percebi que as pessoas tem essa forte tendência a pensar que inovação, empreendedorismo e startups devem ser tecnológicos e/ou digitais, contudo quero reforçar minha posição de que isso é só a ponta do iceberg, pois nós vivemos num mundo físico, psicológico e espiritual e não num mundo virtual, onde o sucesso pode determinado por características de um personagem ou produto que construímos como se fossemos Deus (ou programadores), com uma moeda que nem existe.


Falo isso não para criticar as startups digitais, que por sinal são muito legais e tem provocado forte impacto no “mundo offline”, como é o caso do Peixe Urbano, Guidu, Facebook, Catarse, Ewiks e muitas outras startups que tem movimentado dinheiro no mundo real e não ficando apenas no virtual. Mas é que no final das contas o que importa é o mundo em que vivemos e a vida prática que temos.

Se montamos um negócio que não gera muitas vagas (diretas) de trabalho, não produz impacto social em uma comunidade e nem ao menos transformação (positiva) na maneira de pensar das pessoas, não acredito que seja um negócio que vale a pena ser vivido, pois já que é para eu gastar 50%-80% do meu dia num negócio, que seja algo que não faça com que o mundo aí fora continua o mesmo e eu com minha vidinha fútil ganhando dinheiro, trabalhando (que nem louco), acumulando recursos, para que daqui a alguns anos eu morra e tudo fique para minha família, que poderá continuar um pseudo-ciclo da vida.

Acredito sim que o processo de planejar uma startup, desenvolvê-la e levá-la ao “sucesso” é muito emocionante e bacana (e fico empolgado só de pensar)! Contudo, quando esse processo começa a envolver muitas pessoas, melhorar a vida delas e se tornar tão duradouro quanto o conhecimento, que pode ser perpetuado enquanto existirem pessoas dispostas a praticá-lo, aí sim podemos pensar na possibilidade de sucesso. Quando pessoas que não têm acesso a educação necessária passam a tê-lo; pessoas famintas passam a ser alimentadas; os “excluídos” a ganharem autoestima e dignidade para viver; regiões destruídas serem reconstruídas, não com doações apenas, mas com uma mão-amiga e amável presente (indo até o local); ou simplesmente aprendendo a ouvir as pessoas.

Isso me lembra de uma mulher que se colocou na rua para tricotar e para ouvir as pessoas. Quem de nós não quer ser ouvido? Quem aqui faz isso gritando? Ou faz isso por meio de um empreendimento de sucesso? Mais do que imagem ou ver o resultado impresso num demonstrativo de resultados, quero ver negócios que mostram o resultado com o testemunho de vidas transformadas.

Um exemplo é um dos projetos do Afrika wa Yesu, com seu chamado Centro Vocacional de Nacala em Moçambique, que consiste em ensinar princípios básicos de negócios, como gestão e pesquisa de mercado, e a arte da carpintaria, doando ferramentas para a pessoa sair e abrir um negócio próprio, já que lá o trabalho é todo manual. Alguns já estão sustentando suas famílias com seus pequenos negócios abertos depois do curso de carpintaria.

Além disso eles são motivados a transmitir esse mesmo conhecimento em pequenos grupos nas comunidades onde vivem. Essa é uma das características cruciais de negócios de impacto, o empowerment ou empoderamento, onde o público consegue transmitir para outras pessoas o conhecimento adquirido, permitindo seu desenvolvimento e sustento pessoal, na maioria das vezes também o desenvolvimento econômico da região.

Mas, OK! Tudo isso porque eu queria apresentar mais uma startup com quem tive o prazer de falar com um dos fundadores.Chamada Rabisquedo, que cria um brinquedo originado nos desenhos imaginários das crianças que lhe é apresentado. Com o desejo de integrar uma rede de artesãs para este trabalho Bruno Abdelnur tem buscado conhecimento e parceiros que possam ser de ajuda mútua. Como nosso amigo do Startupeando já escreveu um artigo bem resumido sobre essa startup que tem potencial para impactar muitas pessoas dependendo do rumo e do modelo de negócios escolhidos, deixo para vocês a minha recomendação de leitura do artigo deles.

Para os demais deixo meu grande abraço e disposição para uma conversa aberta sobre algo que acharem interessante: contato@startupdiario.com.br.

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