segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Startup Entrevista - guiaCMYK

Já faz algum tempo conversei com Leonardo Almeida, diretor e fundador do guiaCMYK, e gostaria de compartilhar um pouco da experiência dele com vocês.

Mas antes uma introdução ao guiaCMYK: ele “é uma nova forma de contratar gráficas”. Que objetiva facilitar a busca pela gráfica ideal e tornar mais intuitivo o gerenciamento de impressão gráfica das empresas, pois hoje esse processo é muito manual, cheio de retrabalhos e cada gráfica trabalha de um jeito – dificultando a vida dos clientes.

Dessa conversa, o que mais me chamou a atenção é quando falamos sobre o empreendedor financiar seu próprio negócio, principalmente mostrando que acredita no próprio projeto. Confiram abaixo como foi nossa conversa, que apesar de longa foi muito interessante:

Startup Diário: Como surgiu a idéia de montar o guiaCMYK?
guiaCMYK: A ideia surgiu durante minha pós graduação, na USP, em 2007. A proposta inicial era criar uma forma mais fácil de encontrar gráficas, baseado em tags. E felizmente o projeto foi aprovado na academia.

SD: Como você identificou o problema que atendem?
guiaCMYK: Como tinha um escritório de design, precisávamos constantemente produzir material impresso. Eram folders, livros, catálogos, etc. Encontrar uma gráfica que atendesse nossas necessidades com bom preço e qualidade era uma saga.

SD: Foi elaborado um Business Plan (Plano de Negócios)? Ele foi seguido?
guiaCMYK: Por ocasião da monografia, elaborei um estudo bem extenso que incluía o BP. No total eram cerca de 300 páginas. Sinceramente isso engessou um pouco as coisas. Elaborei uma versão mais simples, mais “business”, com 10% do tamanho original para começar o trabalho.

SD: E como foi o processo inicial de execução da idéia?
guiaCMYK: Com a conclusão da pós a ideia foi engavetada. Na época eu tinha outra empresa, um escritório de design. Três anos depois, em 2010, retomei o projeto, modernizei-o (o conceito original é 30% do que o guiaCMYK se tornou) e coloquei em prática. Contratei um programador por três meses, aluguei um espaço de co-working e coloquei uma versão beta no ar.
Para executar a ideia usamos muito de design thinking. Ou seja, iniciei analisando o problema, o processo e seus gaps - como funciona hoje a contratação e gerenciamento das gráficas pelas empresas. Em seguida, procurava adicionar valor em cada etapa – tanto para o cliente, quanto para a gráfica.

SD: De onde vieram os recursos para iniciar as atividades do negócio? Bootstrapping, angel investors, venture capital, prêmios em competições.
guiaCMYK: Um dos maiores desafios que tive foi financiar o projeto, mas acabei financiando com recursos prórprios (bootstrapping). Vendi o meu carro e fiz um financiamento para amortizar o pagamento. Dividi o dinheiro em investimento inicial e marketing para os primeiros meses.

SD: Acha que todo empreendedor deveria investir recursos próprios (bootstrapping) ou pelo menos ter coragem de fazer isso?
guiaCMYK: Acho bootstrapping essencial. Mostra o comprometimento do empreendedor com sua - até então - ideia e o força a ser criativo a todo momento. É necessário ser lean e arrumar soluções práticas e de baixo custo para os problemas do dia-a-dia.

SD: Qual é/foi a estratégia para lançamento do negócio?
guiaCMYK: Fizemos campanhas de PPC (pay-per-click) em ferramentas de busca. Foi a forma mais imediata para gerar tráfego e ter feedbacks das pessoas. Investimos também em assessoria de imprensa e conseguimos espaço nas principais publicações do setor, como a Professional Publish e a Graphprint.

SD: Qual o modelo de negócios adotado/desenhado para o guiaCMYK? Houve a necessidade de uma reformulação no modelo de negócio em algum momento?
guiaCMYK: O modelo baseia-se em Lead Generation e SaaS, software como serviço. No momento a ênfase é no primeiro e somos comissionados sobre os trabalhos conquistados pela gráfica. Estamos avaliando outras opções, como cobrança de mensalidade ou venda de cotas de patrocínio. Estamos em busca da maturação do modelo, aliás é sempre importante tentar evoluí-lo.

SD: Pensou algo no conceito de lean startup ou de MVP (Minimum Viable Product) na criação de seu negócio? Conhece esses conceitos? O que acha?
guiaCMYK: No início desconhecia esses conceitos, mas os usava de forma intuitiva. Éramos lean por força maior (risos) e apenas com um MVP poderiamos colocar o guiaCMYK no mercado e lançá-lo. Vim conhecer melhor esses conceitos participando de eventos de startups como o BRNewTech.

SD: Já participou de alguma competição de startups ou plano de negócios em que teve que apresentar sua ideia? Como foi?
guiaCMYK: Sim. Já participei do Moot Corp e o Desafio Brasil. Não avançamos, mas recebi feedbacks valiosíssimos.

SD: Qual foi o feedback mais marcante para você e o que você mais aprendeu fazendo pitches e apresentando sua idéia?
guiaCMYK: Foi no Desafio Brasil 2011. O grupo de jurados reforçou a importância de ter sócios para complementar expertises. Eu tinha - tenho - essa orientação de fazer as coisas sozinho e comecei a repensar esse comportamento. Quando estava analisando possibilidades para viabilizar o guiaCMYK até prospectei alguns parceiros/sócios, mas a negociação não avançou.

SD: Com o negócio funcionando, como se tornou sua rotina? Era como esperado?
guiaCMYK: No início senti na pele a necessidade de uma equipe para a operação – algo que não imaginava nos planejamentos. Eu acabava sendo o telemarketing, pois precisava fazer os followups juntos aos clientes e gráficas para garantir que todos estavam satisfeitos. Logo percebi que isso dificultaria o crescimento do negócio e sua escalabilidade. Desenhei e programei um sistema de CRM para automatizar esse processo.
De fato, essas passagens “pelo balcão” são a melhor forma de gerir o negócio. O empreendedor vivencia os problemas e, com isso, pode trabalhar numa forma de resolvê-lo – seja automatizando, delegando, etc.

SD: E quanto ao gerenciamento da equipe? Como foi formada e dividida a equipe?
guiaCMYK: Éramos dois: Eu cuidava do planejamento e design. Contratei um programador para o banco de dados e os desenvolvimento. Esse espírito de startup, onde todos estão juntos num mesmo objetivo e sem muitos recursos, ajudou demais.

SD: Você está se tornando o que considera um "empreendedor de sucesso"? Porquê?
guiaCMYK: Sim! Apesar do guiaCMYK – ainda – não ter atingido o ROI (Retorno sobre o Investimento), valeu cada centavo investido no projeto. Sou partidário da frase “put your money where your mouth is” e isso, para mim, já é 80% do sucesso.

SD: O que você aprendeu com o desenvolvimento da guiaCMYK e quais as dicas que você deixaria para aqueles que pretendem montar o próprio negócio?
guiaCMYK: Aprendi a começar pequeno e querer ser grande. A ser beta. Como diz Luther King, “dê o primeiro passo. Não é preciso ver toda a escada, apenas dê o primeiro passo com fé”.

SD: E como sempre, eu gostaria que você deixasse uma dica de leitura para os empreendedores de plantão, sobre algo que te ajudou ou marcou sua vida.
guiaCMYK: Dou duas dicas: The E-Myth Revisited, do Michael Gerber, me ensinou a importância de criar uma empresa que funcione sem a presença do dono – a proposta do autor é documentar tudo, como se fosse criar uma franquia. A outra dica é o Vendedor do Tempo, do Fernando Trías de Bes, que tem uma narrativa fantástica sobre nossa relação do tempo e dinheiro.


Particularmente dei uma breve lida no conteúdo do E-Myth e ele me inspirou muito em algumas palestras que estou preparando. Mas é isso aí galera, deixe seus comentários, se a entrevista ficou muito grande, se esse formato de entrevista é legal e continuem entrando em contato contando o que rola no "mundo empreendedor" e como vocês tem lidado com as diversas situações que aparecem.

Sei que nesta entrevista apareceram muitos termos que nem todos estão acostumados, pretendo escrever sobre cada um deles mais detalhadamente em outra oportunidade, mas de qualquer forma me pergunte para que eu possa saber as maiores urgências ;-)  Estamos no email: contato@startupdiario.com.br ... e não esqueça de seguir-nos no Twitter e ficar informado sobre as principais notícias para empreendedores do mundo.

Valeu a entrevista, grande abraço!

1 comentários:

É engraçado como surgem as ideias para novos negócios. Resolver um problema que você enfrenta no dia-a-dia e realmente comprar a sua própria startup, como o Leonardo fez, é a chama que o negócio precisa para dar certo. Além disso, o bootstrapping é a prova de que você está colocando o seu na reta, que acredita mesmo na tua ideia.

Pra completar, à um trmpo atrás um amigo meu (dono de uma gráfica) me disse que gostaria bastante de uma ferramenta para controlar os projetos junto com seus clientes. Acho que agora encontrei uma para apresentar à ele!

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